quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rosebud – o pedaço perdido da vida do Cidadão Kane

Cidadão Kane é um filme feito para brilhar ontem, hoje e sempre. Lançado em 1941 pelo cinema norte-americano e dirigido por Orson Welles, o longa-metragem conta a história de vida de Charles Foster Kane, um menino de origem humilde que se tornaria o magnata dos jornais estadunidenses.
Misturando dramaticidade e suspense, o filme começa com a morte de Kane e sua última palavra: Rosebud. Os jornais de todo o mundo se propõem a noticiar tal fato, no entanto, um jornalista chamado Thompson fica encarregado de investigar o significado desse nome e o que isso representava para Kane – seria uma garota, uma aposta num jogo, enfim, uma simples parte de uma vida tão peculiar?
Desse modo, Thompson inicia sua jornada no passado de um homem que fora ao mesmo tempo amado e odiado pelos americanos. Nesta caminhada, a vida de Kane é reconstruída a partir de recordações de personagens e de viagens no tempo. De uma visita à biblioteca, Kane aparece como um garoto brincando na neve com o seu trenó, ingênuo ao que o mundo teria a lhe oferecer; mas como sua mãe havia recebido uma grande fortuna ao ficar com uma mina supostamente abandonada de um inquilino, ela passa ao encargo do banco a educação de Kane até que o menino completasse 25 anos e pudesse tomar conta de todo o dinheiro.
De toda a fortuna que lhe pertence, o que mais interessa a Charles, porém, é o Inquirer, um pequeno jornal de Nova York e que, dentro de pouco tempo após assumir seu controle, Kane o transforma no jornal mais vendido. Selecionando notícias cotidianas e fazendo de fatos aparentemente banais grandes acontecimentos, Kane se inicia na produção do Jornalismo Amarelo (Imprensa Marrom aqui no Brasil), ou seja, a busca de notícias a qualquer preço.
No entanto, em todas as lembranças das pessoas que fizeram parte da vida de Kane, ninguém parece saber o que significa Rosebud. Nem Leland, que era o melhor amigo de Charles; nem Susan Alexander, segunda esposa do magnata. O que faz com que o espectador se encante e se veja dentro do enredo do filme é exatamente essa mescla de expectativa e agitação, pois é convidado a todo o momento a tentar desvendar tal palavra e a entender as vontades de Kane.
Thompson prossegue em suas buscas “memória a memória”. São dois casamentos realizados por Kane e os dois acabados, uma tentativa de se tornar governador que quase acaba vingando se não fosse a denúncia de um jornal rival sobre um suposto escândalo de Charles com uma cantora, Susan Alexander, a qual se tornaria mais tarde sua segunda esposa. Das idas e vindas, Charles acaba por acumular ainda mais sua fortuna, além de construir uma propriedade considerada a maior mansão privada do mundo, Xanadu. Mas, para citar uma frase do próprio narrador do filme, ”como para todos os homens, a morte chegou para Charles Foster Kane”.
Thompson não descobre o significado de Rosebud e termina por acreditar que seja apenas uma parte do quebra-cabeça da vida de Kane, mas o espectador não, esse sim pode e deve compreender que Rosebud, contrariando todas as perspectivas, nada mais era do que um pedaço da infância de um menino, um pedaço perdido, talvez, mas que na memória de Kane estava mais vivo que toda a sua própria vida e representava apenas o trenó de seus dias de criança.

Keren Bonfim


Um comentário: